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Aceitar é o mesmo que se acomodar?

Aceitar é um desafio, principalmente quando as coisas não estão como a gente gostaria! Sabe quando está tudo meio travado e nada está saindo como o planejado? Pois é, por quanto tempo você fica lutando contra isso, tentando recolocar as coisas nos trilhos? Quando você percebe que parou de brigar com o fluxo e tenta aceitar e entender para onde está indo essa nova rota? Pode não parecer, mas isso fala sobre aceitar as mudanças que a vida apresenta. A aceitação está relacionada com abertura e acolhimento para aquilo que se mostra na nossa frente. Pode ser uma situação, pode ser algo sobre você mesmo ou ainda sobre alguém que está em relação contigo. Hoje neste blog vamos refletir sobre a diferença entre aceitar e se acomodar. Para isso vamos fazer a seguinte caminhada:

O que é aceitar?

Por que aceitar é diferente de se acomodar?

Como sair da acomodação?

 O que é aceitar?

Aceitar não significa concordar, mas fala de uma postura de receptividade, de abertura! Ela pode estar relacionada ao que acontece ao seu redor, e ainda temos a aceitação como uma atitude relacionada a outras pessoas e consigo mesmo. 

Como esse é um tema amplo e que podemos olhar para diferentes direções, nosso objetivo hoje é falar sobre a aceitar os acontecimentos da vida. Perceba que é muito comum a gente tentar controlar os nossos passos, expectativas de resultados, de nos manter no plano que fizemos. Quem aí não se identifica com isso né? 

Bem, quando as coisas “estão nos trilhos”, nem precisamos fazer um grande exercício para aceitação. Porque a necessidade de aceitar aparece justamente quando nos deparamos com o diferente, com o inesperado!! Nessas horas, para conseguir ter abertura para o novo chegar, por vezes precisamos nos despedir de alguns conceitos nossos, de expectativas que tivemos. 

Aceitar também está relacionada com momentos de despedida.

É muito comum antes da aceitar, experimentarmos diversos sentimentos, como frustração, tristeza, saudade.  Para aceitar o que está vindo, a gente precisa passar, ou acaba passando, por momentos de fechamentos. Não é bem uma questão de escolha às vezes, sabe?  Essa tarefa não é exatamente fácil, não é mesmo? 

Quantas vezes você se deparou tentando a todo custo manter algo que não conseguiria? Aceitar está em abrir mão do controle ou de enxergar apenas um caminho e ampliar para mais possibilidades, mesmo que você escolha não segui-las, mas simplesmente se abrir para saber que há formas diferentes da sua.

Por que a aceitar é diferente de se acomodar?

Essa é uma questão interessante que muitas pessoas acabam realmente confundindo as duas coisas. Mas elas são bem diferentes! Vamos ver?

Aceitar tem movimento, fala de um processo de mudança de rota, de continuidade de caminhada. A acomodação está relacionada com o estático, fala de repetição, de ficar na zona de conforto. Para permanecer como estamos, a mudança não pode acontecer, então, nesse mesmo sentido, nem o movimento. Ao menos não o movimento diferente do que se espera. 

A acomodação está relacionada com movimentos de repetição, acabamos sempre fazendo as mesmas coisas, por achar que não adianta fazer diferente e assim, acabamos não nos movimentando para mudança.

Acomodar-se com os acontecimentos pode acontecer de várias formas.

Pode ser em relação a um trabalho que não se identifica, mas que acaba escolhendo não mudar nada para sair, ou não enxergando outras perspectivas. Pode ser em relação a uma doença, que possui desafios no tratamento e com as dificuldades acabamos nos entregando, sem um cuidado com a gente mesmo.

Em todos a sensação que deve surgir na acomodação é a de que não adianta fazer nada de diferente, porque acreditamos que não vai mudar. Mas o que geralmente não percebemos é justamente a acomodação que não gera mudança. 

A acomodação tem a ver em evitar lidar com desafios e está geralmente acompanhada do medo de mudança e de sair da zona de conforto.  Já a aceitação está em reconhecer a dificuldade, a presença de algo difícil, mas seguir e continuar vivendo, pois a vida é feita de crescimento.

E agora, como sair da acomodação?

Primeiro, acho importante pontuar que não quero trazer aqui a acomodação como uma crítica negativa necessariamente ou que ao se ver acomodado, você deve querer sair disso. A ideia é apenas reconhecer os nossos movimentos na vida.  Se ao se perceber nisso surgir um incômodo, pode ser um aspecto importante observar 😉

Reconhecer nossos incômodos e inquietações são parte importante do processo. É possível que quando nos acomodamos, deixamos também de reconhecer aquilo que nos incomoda. Justamente pelo fato de que a partir do momento que eu percebo algo que me inquieta fica mais difícil não fazer nada e ficar nisso. Faz sentido?

Então a acomodação pode estar relacionada com um distanciamento do que estamos vivendo da experiência. E nossas sensações são comunicações importantes que temos na vida.

A partir disso é possível se aprofundar na percepção sobre si e tentar identificar, então, o que aparece de sensação ao pensar no movimento de mudança? Será que é medo? Preguiça? Irritação? Cada uma pode levar a caminhos e respostas diferentes sobre o que está passando com você.

Minha última dica hoje é se abrir para a experiência. Tarefa essa que não é fácil e que não estamos acostumados a fazer! Mas é muito interessante perceber nossas experiências quando estamos abertos a vivê-las! Isso traz conhecimento sobre nós e nos ajuda a identificar o próximo passo que gostaríamos de dar. 

Lembre-se que esse caminho de autoconhecimento é possível de várias formas e dentre elas há a possibilidade de buscar um serviço de psicoterapia! Pois o processo psicoterapêutico é todo baseado em contribuir para ajudar a pessoa a conhecer mais sobre si mesma! Se tiver desejo de saber mais sobre isso, clique aqui e entre em contato com uma de nossas psicólogas!

Ana Luísa Remor

Ana Luísa Remor

Psicóloga, CRP 12/11646

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